Cheios de nada. É assim que andam os bolsos dos nossos queridos barreirenses e vizinhos espalhados por este pequeno/grande país à beira mar plantado. Plantado e sem frutos. Nós bem que os semeamos, mas…
Os sorrisos amarelos, ares carrancudos, e uma evidente cara de que ‘todos nos devem e ninguém nos paga’, são já uma constante pelas ruas e ruelas da nossa cidade. Quer faça chuva quer faça sol, quer seja a fatídica manhã de segunda-feira ou a bela tarde de domingo, o mau humor é inalterável e anda de mãos dadas com o ‘não me digas nada…’. O sol, que simpaticamente nos espreita lá de cima a fim de nos trazer algum conforto, começa a desistir de trabalhar para o boneco. Sim, porque quer queiramos quer não, na maior parte das nossas 24 horas diárias, somos escravos da nossa própria rotina e vestimos a pele de bonequinhos telecomandados sem graça nenhuma. Umas marionetas programadas para fazer a tarefa X no horário Y que, de ante mão, foi estrategicamente estipulado.
Os preços sobem, os ordenados descem. Pagamos mais por menos, (ou temos menos por mais?). O que é certo é que se em alguns casos “o corpo é que paga”, aqui quem paga é, sem dúvida, a carteira (ou a falta dela). E ainda dizem uns e outros que “o país está a sair da crise”. Está? Onde?
‘Ano novo vida nova’, esperemos que seja ‘Ano novo economia nova’, convenhamos que é disso que todos precisamos para alegrar os nossos dias! Até lá, continuaremos a somar contas por pagar e ataques de puro desespero, a sofrer de mau humor crónico, a contar as moedinhas para o café e a desejar vivamente que apareça um mealheiro gigante com vontade de se partir ao meio e dividir o seu recheio por todos. Afinal, as carteiras andam vazias, sim. Mas não mais que os nossos espíritos.


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