Há duas décadas atrás, com a queda do Muro de Berlim, foi declarado o fim da Guerra-fria e até Ian Fleming, argumentista dos filmes de James Bond, se ressentiu desta perda do paradigma maniqueísta de cinquenta anos de vida: dali para a frente quem seriam os bons e o maus?
No final do século XIX, o território colonial foi partilhado pelo mapa de cor rosa, do qual sobrevivem ainda reminiscências e que justificam muitas das guerras étnicas que assolam o continente africano. Quatrocentos anos antes, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas, Espanha e Portugal - os ibéricos, em linguagem literária da actualidade -, dividiram, por antecipação, os territórios que viriam a descobrir. E a sábia China há mais de mil anos que ergueu a muralha que a protege do invasor.
Enfim, a necessidade de delimitar espaços para exercício do poder tem múltiplos momentos assinalados na história e na geografia política, e de todos eles se conclui que, afinal, só existem dois lados e só se pode estar num deles.
Por isso, numa escala local, é difícil entender que quem delimitado no seu espaço por ter perdido eleições queira, ainda assim, exercer poder. E que quem ganhou e o detém, o queira partilhar. Talvez ambos estejam a mentir, ou então, não percebem o lugar que ocupam.


Comentários (4)
Comente esta notícia