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Opinião

2009-11-09, Madalena Alves Pereira
Os dois lados do muro

Há duas décadas atrás, com a queda do Muro de Berlim, foi declarado o fim da Guerra-fria e até Ian Fleming, argumentista dos filmes de James Bond, se ressentiu desta perda do paradigma maniqueísta de cinquenta anos de vida: dali para a frente quem seriam os bons e o maus?

No final do século XIX, o território colonial foi partilhado pelo mapa de cor rosa, do qual sobrevivem ainda reminiscências e que justificam muitas das guerras étnicas que assolam o continente africano. Quatrocentos anos antes, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas, Espanha e Portugal - os ibéricos, em linguagem literária da actualidade -,  dividiram, por antecipação, os territórios que viriam a descobrir. E a sábia China há mais de mil anos que ergueu a muralha que a protege do invasor.

Enfim, a necessidade de delimitar espaços para exercício do poder tem múltiplos momentos assinalados na história e na geografia política, e de todos eles se conclui que, afinal, só existem dois lados e só se pode estar num deles.

Por isso, numa escala local, é difícil entender que quem delimitado no seu espaço por ter perdido eleições queira, ainda assim, exercer poder. E que quem ganhou e o detém, o queira partilhar. Talvez ambos estejam a mentir, ou então, não percebem o lugar que ocupam.

Comentários (4)

1
Jorge Ventura
2009-11-09 16:11:18
Concordo com a globalidade do artigo e acrescentaria ainda que, infelizmente, tornou-se habitual a maioria comunista no Barreiro aliciar autarcas de outros partidos. Desta vez, esteve bem o PS ao cortar imediatamente "o mal pela raiz".
2
Manuela Fonseca
2009-11-13 12:11:42
Olá, Madalena Leio os seus (inter)textos com toda a atenção, concorde ou não com eles. Este interrompeu-me, como pensava que lhe tinha dito ontem, a 101.ª leitura do Elogio da Loucura. Bj.
3
Vítor Nunes
2009-11-14 07:11:29
E de que lado está quem se demite da vitória e a ela tenta desesperadamente regressar, "esquecida" do passado e fiada nas memórias curtas dos Homens? Infelizmente, o PS Barreiro insiste em andar por caminhos e mãos muito pouco certos e generosos. Vestido ou não de intelectualidade pretensa.
4
Sr. Anónimo
2010-05-27 15:08:29
Oriente-Ocidente, Bem-Mal, Norte-Sul entre outros binómios são coisas que facilitam a compreensão das coisas mas não existem só dois lados. As coisas em si não têm propriamente lados, são abertas a todos os que lhe possamos atribuir e podem ser ainda compreendidas sob a luz de diferentes níveis lógicos de organização de possíveis "lados". O local-nacional, esquerda-direita, governados-governantes, PS-CDU (depreendo talvez erroneamente que sejam estes os dois lados mencionados no artigo) são formas básicas e não operativas, ainda que peudo-operativas, de compreender o poder. E quando escrevo isto que fique claro que não me refiro a nenhum episódio particular da grandiosa vida político-partidária Barreirense, fruto do glorioso político sistema local português.

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