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Opinião

2010-07-12, José Silveira Lopes
Património, em movimento?

A valorização do património concelhio estimulou a criação de associações locais. Saúdam-se as iniciativas na medida em que elas se destinem a gerar pluralidade de pontos de vista, a dinamizar iniciativas que reconciliem as gentes do Barreiro com o “seu” património histórico, sociológico, cultural, natural. Naturalmente, o mérito de cada iniciativa desaparecerá se se limitar a secundar o “pensamento único” que, por via da hegemonia do “partido” ou da edilidade, de há muito vem asfixiando a participação cívica. As questões do património, atento o estado a que as coisas chegaram no concelho, requerem intervenções autónomas, independentes que mobilizem todas as melhores vontades e capacidades, constituindo-se num afrontamento contra os camartelos (os físicos e os intelectuais), num espaço de concepção, de intervenção, com resultados efectivos.
 

O “Espaço Público” já apresentou uma visão do que poderia ser uma metodologia de intervenção orientada pela interactividade e pela modernidade. Manifestámo-nos contra a mera memorialização histórica – encerrar o pouco património edificado num casulo numa cápsula histórica é destruir a sua utilidade. Limitarmo-nos a encerrar objectos em museus é, hoje, um anacronismo. Como também o é a mero descrição ou divulgação, evocativa de um passado. Somos, portanto, contra uma visão historicizante das questões da identidade cultural. Sobretudo porque, como referíamos há um ano atrás, “as gerações mais novas já não têm qualquer relação afectiva de pertença ao passado que esses testemunhos materiais ilustram e a “saudade” dos mais velhos é obviamente insuficiente para sustentar um esforço duradouro de preservação e valorização desse património.”


Considerámos então “que a melhor forma de salvaguardar essas memórias é a sua integração num processo expositivo que vivifique o conhecimento que lhes está associado, na sua relação com o presente e com um futuro de desenvolvimento (sustentado pela inovação técnica e social e pelo empreendorismo económico). Tudo isto pode ser feito com modelos audiovisuais, interactivos, em ambiente multimédia, que estimulem o interesse de diversos segmentos da população designadamente dos mais jovens. Tratar-se-ia sobretudo de explicar a evolução do “engenho” humano, como uma resposta a necessidades sociais e a desafios, incorporando conhecimentos empíricos nascidos da observação dos fenómenos naturais. Tratar-se-ia ainda de promover aptidões para a experimentação, para o trabalho e para a inovação nos domínios científico e tecnológico, ao mesmo tempo que se valorizaria uma “história”, uma “memória” que ainda marca a paisagem. Da qualidade dos suportes expositivos – e da inteligência e integridade do discurso - dependeria, naturalmente, a capacidade de atrair visitantes e de gerar desenvolvimento.”
 

O que então propúnhamos era “a criação de um “parque do conhecimento” que parta da “memória” local e se defina como um repositório experimental de saberes e de capacidades para potenciar os recursos naturais em proveito do bem-estar e do progresso. Um percurso expositivo que também ilustre e “interprete” as estruturas e os movimentos sociais no processo de construção das sociedades modernas.” Acreditamos que é possível fazer deste “projecto uma importante alavanca económica modernizadora e geradora de postos de trabalho qualificados, que coloque o Barreiro no mapa cultural e turístico do País. “Sim, é possível” vencer a inércia cultural que caracteriza os dias de hoje, desde que se admita que a modernidade está mais no “conhecimento” do que no betão. Desde que se admita que o património histórico pode ser a nova “centralidade” de que o Barreiro carece e não um mero adorno marginal e acessório.”
 

“Espaço Público” dá um passo no sentido do necessário debate em torno de projectos concretos. Quem mais está disponível?

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