O conceito de património cultural tem vindo, ao longo dos tempos, a tomar contornos diversificados; apesar disso, ao falarmos de património cultural, todos falamos de algo que é considerado como de interesse relevante, normalmente herança do passado e que aponta para a identidade do país ou até de um lugar.
Seguindo este raciocínio, o Barreiro tem vindo, nos últimos tempos, a ser referenciado por razões que a História desta cidade bem conhece.
Pela sua antiguidade, e como marcos de arquitectura civil educativa, temos
vindo a assistir à defesa da manutenção e revitalização das Escolas Conde
de Ferreira, na freguesia do Barreiro e Adães Bermudes, na freguesia do
Lavradio.
Efectivamente, no primeiro caso, estamos perante uma tipologia definida
por Dec.-Lei de 1886, enquanto a segunda se enquadra na data de 1898.
Por uma e outra destas escolas, passaram muitos dos que, nesta cidade,
vieram a distinguir-se pelas mais variadas razões.
A este fenómeno, de âmbito estritamente afectivo, juntam-se-lhes as marcas de duas tipologias arquitectónicas que, embora diferentes, tinham alguns aspectos em comum: em ambas, as salas eram usadas diferenciadamente para rapazes e raparigas e ambas incorporavam casa para o professor.
Para além destes dois objectos arquitectónicos, cuja memória deve ser preservada, reintegrando-os no tempo e no espaço há, no Barreiro, todo um referencial da época industrial que se vai esvaindo no tempo.
Talvez o último reduto dessa época seja a recém fechada Fábrica Amoníacos de Portugal, actualmente em fase de pleno desmantelamento; é estranho pensar-se que isto acontece, quando algumas praças desta cidade, têm sido, diga-se, merecidamente preenchidas com esculturas expressamente executadas para o efeito. Algumas peças da referida fábrica, bem representativas da História Industrial do Barreiro, em vez de serem enviadas para a Índia ou serem destruídas, poderiam ser usadas como elementos escultóricos, em praças, pracetas, jardins e outros, conferindo-lhes toda a dignidade de espaços públicos.
Não será que ainda se vai a tempo, se houver uma visita e um olhar selectivo sobre o que resta da Amoníacos de Portugal?


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